FUTEBOL É DOM OU SE APRENDE NA ESCOLA ???


Olá , amigo leitor da VIVA.  Nossas entidades oficiais liberam lentamente o retorno das competições profissionais e por aqui nós seguimos com o assunto que sempre nos reúne: desta vez o papo é sobre o sonho esportivo de muitos.

 

Grandes cidades que antigamente estavam repletas dos chamados “campos de várzea” (locais rústicos, de terra-batida) precisaram  adaptar-se à evolução e aos lançamentos imobiliários que costumam ocupar os melhores lugares (as regiões valorizadas) e assim avançaram nas periferias, normalmente mais populosas.  Isso reduziu as áreas livres e também as possibilidades de lazer.  Tivemos então o desenvolvimento de duas variantes do dito Futebol de Campo (o  correto é apenas Futebol) : o Futsal (que já foi Futebol de Salão) e o Society (inicialmente em campos de areia e hoje em grama sintética).  No espaço de um campo oficial que reunia 22 (vinte e dois) praticantes pode-se construir até oito campos de Society ou doze quadras de Futsal e divertir cerca de 120 (cento e vinte) craques da bola.  

Trazendo para os dias atuais : seja para ocupar o tempo das crianças ou até mesmo investir na formação de garotos que “levam jeito prá coisa” muitos pais escolheram as escolinhas de Society como sua alavanca impulsora. A aparente vantagem sobre o Futsal vem da proximidade da dinâmica e dos fundamentos com o Futebol , em razão da bola, do piso e da movimentação geral. 

A semelhança dos gestos ocorre nos principais fundamentos adquiridos, que são : domínio e amortecimento , a condução de bola com os diversos tipos de passe e de arremate, o cabeceio ofensivo e defensivo e a trama coletiva de pequenas jogadas, todos eles envolvendo deslocamentos pessoais, mudanças de direção e movimentação coletiva .  A aprendizagem adequada requer num primeiro momento duas aulas semanais  com profissionais de Educação Física preparados para o ensino (desde a iniciação até o aperfeiçoamento) , além da separação por níveis de idade e de habilidade que trarão motivação e segurança aos praticantes .  É evidente que muitos garotos (e cada vez mais também muitas meninas) podem brincar livremente nas ruas e praças mas isso não contribui para a educação tática deles, apenas para diversão e formação dos chamados “peladeiros” , que são naturalmente habilidosos mas não se adaptam às normas coletivas exigidas no esporte de rendimento. 

Ao mesmo tempo em que os pais (muitos tentando realizar o próprio sonho em seus herdeiros ou encontrar uma solução para a condição econômica familiar) são os grandes incentivadores das crianças, alguns fazem parte daquele grupo ingênuo que acredita que “todo brasileiro entende de futebol”.   Eles se acham no direito de contestar o professor e tentar uma orientação paralela ao seu “pequeno craque” nos piores momentos, trazendo confusão numa mente em formação e prejudicando o desenvolvimento técnico e até disciplinar da criança, um dos papéis educacionais principais da convivência em um grupo no qual seu filho não é o “príncipe da mamãe” e nem terá todas as suas vontades realizadas.   O esporte tem o papel de formar o caráter do jovem praticante e prepará-lo para o direcionamento de especificidades individuais  e das durezas competitivas do mundo profissional de qualquer área, que cobra o cumprimento de tarefas e regras , mandando para o banco de reservas aqueles que se acham mais importantes que os demais .  

Para finalizar, saiba que o futebol desenvolve a condição cardiorrespiratória, a lateralidade, a força , a potência e a resistência muscular , queimando ainda várias calorias desde  que praticado com regularidade e freqüência .

Talento natural e orientação profissional fazem um conjunto vencedor.  Pratique esporte e incentive seus filhos.  Um forte abraço e até a próxima .  

 

 


Prof. Ari Grassia Junior é radialista, formado em Educação Física pela USP , com especialização em Voleibol , Futebol , Tênis  e  Xadrez . 

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